Parque da Juventude tem espaço para interessados em tênis

 

Localizado na Zona Norte de São Paulo, o parque disponibiliza quadras e materiais gratuitamente.

 

        

Foto: Gabriel Ribeiro 

 

   

Basta ter uma raquete e vontade de jogar”, diz Lucas Pádua, 28, a respeito a prática de tênis no Parque da Juventude, zona norte de São Paulo –  localizado onde ficava a maior casa de detenção da América Latina, o “Carandiru”

 

     O tênis, esporte nada popular no Brasil devido a dificuldade de acesso a quadras e espaços específicos, pode ser praticado livremente no parque, basta apresentar os documentos pessoais, receber os equipamentos (bolinhas e raquetes) e suar a camisa. Isso se contrapõe a atual situação, já que, para se jogar tênis hoje em São Paulo, é necessário alugar uma quadra ou ser sócio de algum clube privado algum – o que não é barato, tornando cada vez mais o tênis um esporte elitizado, limitado às pessoas de maior renda.

 

    Mesmo com o crescimento do interesse pelo esporte no país devido ao tricampeonato de Gustavo Kuerten, o Guga, em Roland Garros, falta vontade política ao poder público quando se tratar em investir pesado na infra-estrutura educacional com o intuito de popularizar o tênis nas camadas mais baixas da população.

 

    Lucas joga tênis no local há duas semanas, geralmente com seu amigo João Luiz, 17. Para ele, a fácil localização – por ser perto das estações do metrô Santana e Carandiru -,facilita o acesso de todos e possibilita que pessoas venham de outros pontos da cidade. Ele, por exemplo, mora no bairro do Paraíso, Zona Sul da cidade, e acredita que jovens que praticam o esporte em espaços públicos, como o Parque Juventude, podem pensar seriamente em se profissionalizar. “Não depende só do professor, depende da iniciativa da pessoa também”, assegura.

 

    Ressalta, porém, que para os jovens que ainda não têm essa iniciativa, é necessário um incentivo por parte dos colégios, sejam eles públicos ou privados. “Falta fazer parte da grade nas escolas. O tênis nunca vai melhorar no Brasil se não tiver incentivo”, diz.

 

     Ele compara, inclusive, o tênis com o futebol e outros esportes mais populares no país, pois o custo para a construção de uma quadra de futebol, por exemplo, é o mesmo que para uma de tênis.

 

     No tênis, o equipamento mais caro é a raquete, que gira em torno de R$ 200. Inacessível para a maioria dos jovens, mas que poderia ser pensado por parte dos colégios, segundo Lucas.

 

 

Reportagem: Arilton Batista

 



Escrito por Arilton Batista às 01h01
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              Havia uma parede no meio do caminho

 

Jogador de tênis vence dificuldades impostas pelo esporte e pela vida e se torna campeão estadual.

                                                                                                                                                                 Foto: Gabriel Ribeiro

                  

 

A bola corria com velocidade pelo lado de fora da quadra, era a sua deixa, hora de exercitar sua função, apanhá-la e devolve-la aos jogadores.  Várias vezes durante uma mesma partida. Bola fora, bola por cima, bola na rede, lá estava ele, correndo freneticamente atrás dela.

 

Eduardo Silva da Costa tinha apenas nove anos e seu maior sonho era ser jogador, queria estar do lado de dentro da quadra, vencer partidas, enfrentar adversários, vencer sets. Vencer sets? Sim, Eduardo era catador de bolinhas na quadra de tênis Zuquim em Santana, Zona Norte de São Paulo. Ao contrário da maioria dos jovens, ele sonha em ser jogador de tênis e não de futebol.

 

Após o término das partidas lá ia Eduardo, jogar contra seu adversário, uns dos mais difíceis que já enfrentou, mas que nunca foi páreo pare ele, o paredão. Com a raquete na mão, que pertencia à escola, Eduardo era o melhor do mundo, ídolo do tênis, celebridade, ganhava milhões, troféus, torneios, jogos decisivos, tudo contra seu adversário, o paredão.

 

Mas havia um adversário mais difícil que o paredão e qualquer outro que estivesse dentro de uma quadra. A condição financeira.  Os equipamentos para a prática do tênis são muito caros, e Eduardo não tinha condições de comprá-los.  Depois de um tempo, começou ganhar presentes dos alunos que jogavam na escola onde ele era catador, raquetes, bolinhas, entre outras coisas.

 

Aos catorze anos de idade começou a jogar de verdade (a idade ideal para começar no tênis é entre seis e oito anos). Algum tempo depois passou disputar torneios reais, e vencê-los, levantar troféus verdadeiros. Não era uma celebridade mundial, não havia vencido um glamuroso Roland Garros, mas estava realizado, conquistou aquilo pelo que batalhou.

 

Mais tarde Eduardo da Silva Costa foi campeão estadual de tênis, em São Paulo, conseguiu patrocínios, é federado pela Federação Paulista de Tênis (FPT). Aos vinte de dois anos é professor, ensina crianças e adultos que querem seguir uma carreira como tenistas ou jogar apenas por lazer.

 

Nota: Houve um erro de minha parte que causou um desentendimento sobre o texto. A foto postada acima não é do Eduardo Costa, personagem da matéria. Ela foi tirada pelo Gabriel no Parque da Juventude. Usei ela apenas para ilustrar o texto, que é sobre tênis.Em nenhum momento do texto eu disse que ele era o jogador da foto. Falha minha, eu deveria ter previsto que os leitores associariam a imagem ao personagem, e não ao esporte.

Quando ao leitor que disse que o personagem é amigo dele, e se chama Julianderson ele pode até ser o da foto, mas não o do texto. Eu mesmo entrevistei Eduardo Costa e afirmo que o que escrevi está correto.

 

Reportagem: Glauber Macario

 

 

 



Escrito por revistadizer às 13h52
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