“A internet não matará o jornalismo”, diz Gay Talese 

 

                

 

O jornalista e escritor norte-americano Gay Talese, considerado uns dos pais do new journalism deu uma palestra no Museu de Arte de São Paulo (Masp) na noite desta terça-feria, 07 de julho. Durante o encontro, moderado pelo jornalista Ilan Kow, editor executivo do jornal O Estado de S. Paulo, Talese abordou temas polêmicos como a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, governo Bush, escândalos sexuais e internet.

 

Vestindo um de seus famosos ternos, um chapéu panamá, uma gravata amarela e sapatos que de tão lustrosos poderia ser usados como espelho, Gay Talese deu uma verdadeira aula de jornalismo. Apesar da idade, ainda mostra-se um jornalista romântico, que sente prazer no que faz e gosta de fazer à moda antiga.

 

“Sou antiquado. Não uso e-mail e não tenho celular” diz ele, mostrando que não é adepto das ferramentas do século XXI. Prefere fazer jornalismo à ‘moda antiga’. Para Talese, um bom repórter tem que ser criativo, curioso, sair às ruas, entrevistar pessoas, apurar. “Jornalista tem que fugir do laptop”.

 

Quando perguntado sobre o futuro do jornalismo ele diz que “A internet não matará o jornalismo. O que pode matar são os erros cometidos pela imprensa, na busca pela velocidade da informação. A concorrência é dura. Mas sempre haverá espaço para o jornalismo de qualidade”.

 

Critico das relações entre imprensa e poder, o autor de Fama & Anonimato (companhia das letras) afirma que imprensa americana aceitou as mentiras do governo de George W. Bush. “Os jornais de hoje tem um vinculo social com o poder. Não teve bom jornalismo durante a guerra do Iraque” diz ele. E acrescenta falando que isso se deve ao fato de que os jornalistas estavam sobre proteção do exército americano.

 

 Talese é ‘conservador’ também quando se trata da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. “O bom jornalista deve ser curioso, e curiosidade não se aprende na faculdade” para ele a boa educação que teve em casa foi o principal fator que o ajudou a se tornar um jornalista.

 

Falando sobre a imprensa americana, Gay Talese acha que a imprensa americana é muito aficionada por escândalos sexuais. Ele cita como exemplo o caso do ex-presidente Bill Clinton que se envolveu com Mônica Lewinsky, na época sua secretária. Diz que a imprensa divulgou o caso mesmo antes de ser confirmado se era ou não verdade.

 

.O público permaneceu o tempo todo com os olhos e ouvidos atentos no que Talese dizia.  Os puxões de orelha, os conselhos, as histórias de quando era copy desk do The New York Times.  Cerca de duzentos e cinqüenta pessoas estavam no local, muitas delas sentadas no chão, outras dezenas ficaram do lado de fora do Masp, pois não havia mais lugar no auditório.

 

(clique aqui para ler esta matéria no site Terra)

Foto e reportagem: Glauber Macario

 



Escrito por revistadizer às 01h12
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